quarta-feira, fevereiro 23, 2011

domingo, janeiro 30, 2011

matar ou deixar-me morrer

temos que ter cuidado com o que pensamos adormecido.
porque quando é "acordado", pode voltar com muita força.
ou nos prevenimos ou matamos de vez.
either way.. envolve sofrimento.

temos nós coragem de sofrer?

sexta-feira, janeiro 21, 2011

destes heróis anónimos

Não sei bem que pense destes com quem me cruzo.

Tenho uma profissão dura - a de ter que apontar caminhos. E quando eles não existem e é o desespero que se personifica à minha frente, apetece-me fugir. Ser cobarde, baixar os braços, dizer basta, não consigo, não quero porque não posso. Apetece-me incitá-los à revolta popular, ao roubo dos vergonhosamente ricos à custa deles próprios. Dá-me ganas de gritar aos que falam contra os apoios sociais sem conhecerem nenhuma destas realidades. De irromper parlamento adentro com eles todos atrás de mim e clamar por justiça, de lhes esfregar na cara a pobreza, que também tem cara e sofrimento. De lhes sujar as mãos, enojar com os cheiros. De os obrigar a VER! Sim, a VER! Porque o fácil é viver num condomínio fechado e fingir que tudo isto não existe. Ir passar um fim-de-semana ao monte e minimizar a realidade. Para calar a voz da consciência, satisfazer os pudores socais e alimentar uma certa imagem, talvez contribuir um (muito) pouco para uma organização através da internet ou ir a um jantar chiquérrimo de beneficência (é melhor evitar o contacto directo), mas nada de exageros que a crise anda aí.
E ter estes heróis nacionais que andam na intervenção social, sem estatutos reconhecidos, com contratos mais precários que os dos próprios utentes, a dar horas e sangue. E suor voluntários nos projectos onde são.. profissionais. A viverem na eminência de corte de mais um financiamento, quando eles precisam de mais vinte (pelo menos). A fazer omeletes sem ovos (e frigideira!). A serem humanos para além de toda a humanidade possível. A quererem crer, já sem crerem. A desesperar com contenção porque nunca podem desesperar tanto como os que têm à frente. Sem os puderem abraçar e fazer acreditar que têm verdadeira compaixão pelas suas chagas (porque somos "técnicos", não somos amigos.. porque é questionável).
Estes heróis anónimos todos os dias nas trincheiras da frente sem capacetes sequer, quanto mais armas para atacar os males inimigos e alheios. Expostos. Entregues. Com um brilho escondido nos olhos, sempre que uma luzinha se acende. À espera que exista sempre uma luzinha qualquer que lhes permita alimentar a própria chama. Só mais um bocadinho..

sábado, janeiro 15, 2011

da confiança

Quando me "esqueço" de escrever em momentos importantes, dá-me sempre a vontade de declarar a morte súbita deste blog e efectivamente nunca o faço.

Ando a mil (pra variar) e ficam para trás as coisas importantes como rezar e escrever.

Mas sei que posso sempre voltar. Sei que tenho sempre colo junto de Deus. E as coisas muitas vezes não correm como esperamos e há obstáculos que nem sabemos como ultrapassar. Mas a minha opção é a da confiança. Mesmo quando a confiança se começa a esvair. Mas mais do que nunca não me posso queixar da minha vida. Teria, eventualmente, razões para isso. Mas não posso. Escolho confiar. Às vezes é mesmo preciso estabilidade, desde que não nos entreguemos à comodidade. Às vezes somos só nós e Deus, o tal Deus connosco.

Não é tudo linear, nem tudo corre bem. Mas tudo é o que é e os meus calculismos de pouco servem.

A minha palavra de 2010 foi permanecer. Que agora possa permanecer.. na confiança, mesmo cheia de tremeliques, daqueles meus, daqueles humanos.

Haja Deus.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Não te quero senão porque te quero

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.



Pablo Neruda Cien Sonetos de Amor (1959) Soneto LXVI

segunda-feira, dezembro 20, 2010

estrelas - muitas!

No noite dos meus anos apareceram-me umas estrelas à porta de casa.
Eu não as esperava e traziam com elas toda a Luz de Deus (e por isso são elas próprias o meu maior presente) e este poema.
Já no ano passado, tinham aqui vagueado outras estrelas.. espero que esta "moda" passe.. senão ainda morro de ataque de coração, com mais algum aniversário destes! ;)

[...]
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava

E assim eles disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela»
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada

Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava

E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado

Nesse lugar pensei: «Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto»

A estrela, Sophia de Mello Breyner Andressen



quarta-feira, dezembro 15, 2010

dos filhos que (re)convertem os pais

Há um fenómeno curioso nos dias de hoje.

Antes a fé era ensinada, passada exclusivamente de pais para filhos. Tradição familiar. "Normal", inquestionável.
Nem se pensava na possibilidade da não existência de Deus. Não era sequer uma hipótese a considerar.

Depois veio o Iluminismo. Mas ainda assim, até ao início do século passado, mesmo na Europa (sim, porque há outros sítios do mundo que ainda não se coloca a hipótese da não existência de Deus), para alguns era inquestionável. Uma coisa é certa: regra generalíssima que eram os pais a catequizar os filhos.

Hoje em dia vivemos numa sociedade que se pensa secularizada ou pelo menos que se quer assim. Melhor para nós, crentes, obriga-nos a questionar, a sair do quadrado e a ter que conhecer as razões da fé - sim porque a nossa fé tem razões, fundamentos. Obriga-nos a ser mais conscientes. Obriga-nos à autenticidade, senão não só nada valemos como ninguém nos deixa ser "porque sim".

E é aqui que entram os filhos que convertem os pais. De repente, a vida (Deus) concede-lhes a oportunidade fabulosa de irem mais fundo, de perceberem o que ali (naquele desejo de mais) se passa. De pensarem a fé. Começa tudo a fazer sentido e a opção de vida passa ao consciente e comprometido. Os pais param pasmados. Descobrem que até nisto se pode aprender com os filhos. Começam a ir a missas que são animadas por eles, a encontros em que eles participam, a celebrações que eles preparam. "Fogem-lhes" pras beatices. E porque é que um filho do mundo de hoje havia de fugir pra uma igreja, se lá não encontrasse uma "razão" forte? E começam eles a voltar. A apalpar terreno, a (re)descobrir o fascínio que tanto deslumbra os filhos, que lhes faz falta como água. E os não intencionados filhos evangelizam os pais pelo seu testemunho de ausência.

Parece uma contradição, mas acontece. Aconteceu comigo e acontece com muitos.

Isto a propósito de ter conhecido duas mães que se lamentavam (no seu orgulho escondido) do tempo que os filhos "perdem ali" prós estudos. 
"Mas não fazem tudo e não são bons alunos?" - pergunto eu.
"Sim, mas não sabemos como." - dizem elas.

Deus sabe. E é por saber, que se serve dos filhos para converter os pais.
Todos os dias.

segunda-feira, novembro 29, 2010

da amizade que custa

quando ser amigo é ter que ir.. não obstante a vontade ser ficar.
quando não há mais nada que possamos fazer, nem sequer estar ao lado.
Nem sequer estar ao lado em silêncio...

terça-feira, novembro 23, 2010

delicioso

linha amarela às 18h55:

um senhor levanta-se para um menino de, no máximo, 5 anos se sentar.
ele senta-se, olha para a senhora do lado com uma caixa de bolachas na mão e diz muito interessadamente:
"quero comer estas bolachas"
a senhora abre muito os olhos e sorri.
a mãe diz "nem pensar".
a senhora insiste, diz que o filho é igual.
ele começa a comer a suas bolachinhas, a mãe obriga ao obrigado da praxe.
eu começo a sorrir e não consigo parar, pra dizer a verdade dá-me vontade de rir à gargalhada e tenho que me controlar. a senhora sentada ao meu lado também. mas ele não quer saber da vergonha da mãe, da não manifestação do pai e muito menos dos nossos sorrisos. 
quando a mãe diz "vamos sair aqui", ele pergunta:
"a senhora vai sair aqui?"
"não"
"hum.. tá bem, amanhã vou comprar essas bolachas"
(gargalhadas)
"sim, podes comprá-las no Pingo Doce, chamam-se esquecidos"
com os olhos muito abertos: "no Pingo Doce??!"
"sim"
mãe com um sorriso: "espero não me esquecer dos esquecidos"
e lá vai ele, mas ainda olha pra trás e diz um "obrigado, senhora!" - este já não obrigado pela mãe :)

a questão das crianças não é a ingenuidade, é genuinidade. não é de todo a inocência, é a ausência de censuras sociais. they just don't care to care - thank God!

quarta-feira, novembro 17, 2010

da angústia

as angústias do coração movem-me sempre para escrita.
não sei o que é... mas é precisamente o não saber que sempre mais me angustia.
eterna insatisfeita, por natureza, impaciente por vocação e sequiosa por obsessão - há sempre algum caminho a percorrer, há sempre algo a "aperfeiçoar", há sempre um milímetro que me foge da régua.

esta falta de paz que me transtorna a alma.. esta não completude... este inacabado impossível

inquieta, questiono.

e esta quase certeza de nunca ver resolvidos os meus dilemas (senão no fim de tudo) provoca-me mais e mais do mesmo: angústia

veia melancólica de artista quase.. falta o quase... bom.. é o que falta sempre.

terça-feira, novembro 16, 2010

recomeçar a sonhar...

... em baby steps.. que o que é preciso é calminha...

segunda-feira, novembro 08, 2010

pessoas que inspiram

Já tive um ou outro professor digno de referência e influência na minha vida mas, de facto, já há muito tempo que não tinha esta sensação de um professor que inspira, sobretudo se do que fala, é precisamente do que chega ao coração.

É um privilégio ter um professor de Mestrado do ISCTE que é profundamente humano. Que se esforça por saber o nome de todos alunos (somos 50) e que propõe tipos de avaliação diferentes, tendo em conta as diferenças de todos.

Na última aula da cadeira, levantámo-nos e batemos palmas de pé. Nesta mesma aula, ao ser questionado sobre o porque de se insistir no Desenvolvimento, uma das suas respostas foi: "como posso eu trair estas pessoas que têm tanto para ser e dar?!"

E depois marca um jantar de turma e é ele próprio que nos serve à mesa, só pelo prazer de nos explicar o que é e de onde vem cada um daqueles pratos africanos.

Tem defeitos, impossíveis de esconder, mas o bom é tão bom, que inspira.

E é economista e é mais que Dr. e conhece mais de meio mundo de países e de gentes.

E são pessoas como estas, que estão no meio do mundo e que querem levar as pessoas a dar mais de si aos outros e a ser mais, que me fazem acreditar. Que me renovam na esperança.

É cristão, pois claro, e isso ainda me confirma mais na diferença e testemunho que devemos ser.
Esta é uma pessoa que, de facto, faz a diferença.

quarta-feira, outubro 20, 2010

também os há, calham-me todos!

na sequência de ser abençoada... tenho sempre bons chefes.

pessoas que mesmo quando não são competentes, são boas. e depois até já tive um que era competente e boa pessoa (2 em 1).

e este bom chefe, era bom porque que nos ouvia sempre (para isso havia sempre tempo), mas sabia meter-nos na ordem e a trabalhar também quando era preciso. era um diplomata, sabia gerir todas as situações do mundo. conseguia olhar para o outro lado, mesmo quando o outro lado não queria saber o dele. conseguia fazer de um trabalho dificílimo, uma alegria (nem sempre, mas muitas vezes). sabia avaliar as pessoas sem as julgar (!). e mesmo quando era mais "mauzinho", tinha a capacidade de tentar minimizar e reconhecer o sucedido. sempre impecável, sempre a horas, sempre flexível. um pessoa com um bom fundo, num tipo de trabalho que nem fundo tem. uma pessoa do mundo, no meio do mundo, com valores. com confiança e esperança. só tenho pena de estar a escrever isto na distância de tempo e espaço porque haveria tanto mais para trazer do coração.

e só o escrevo agora porque tenho uma boa chefe outra vez. uma pessoa profundamente humana.

não, não tenho sorte.. atraio bençãos. porquê? porque Deus tem infinita misericórdia de mim. vá-se lá saber porquê. 

sexta-feira, outubro 15, 2010

antes digo..

Corrijo: a pessoa mais livre deste mundo foi Jesus.

E daí o meu pasmo em como sabia sempre dizer a coisa certa, na hora certa sem receios de quem e como ia afectar porque era o mais necessário naquele momento.

Espero poder crescer nesta liberdade.

**

quinta-feira, outubro 07, 2010

After Jesuítas

Uma pessoa nunca mais pode ser a mesma.

Sim, às vezes, parece que exagero.. e falo de alguns deles quase como se estivesse apaixonada. Mas na verdade, estou é encontrada. Encontrada na espiritualidade inaciana, que me chega sobretudo através dos jesuítas! E admiro-os na imensa liberdade que possuem. São as pessoas mais livres que conheço, porque plenamente entregues no que acreditam mais plenamente.

E no After Ben deu-me de novo a impressão... que estes homens se pudessem mudavam o MUNDO! Porque muitos "mundos interiores" já eles movem sem pedir autorização... 

Obrigada!

*

sexta-feira, setembro 24, 2010

estou ali

às vezes quando damos por nós já lá estamos.
não temos muito noção em que nos metemos nem porquê... mas já aconteceu.


sentei-me numa sala de aulas do ISCTE para ter a minha primeira aula de mestrado e de repente é que percebi: "estou mesmo aqui". tenho isto pra fazer nos próximos 2 anos. estou numa universidade. outra vez. e o professor falava e eu gostava (como se fosse estranho gostar! - e não é estranho ser estranho?!). eu quis mesmo isto, eu quero mesmo isto mas não sei como vim aqui parar.

[a primeira vez que entrei no ISCTE devia ter 16 anos, fugida do Liceu de Oeiras, para ver um namorado. ou seja, em toda uma outra vida.]

e ali estou eu, meio à deriva, a fingir que é mais um dia como outros. mas não é porque não pode ser. só que aconteceu sem eu dar conta.

confuso, não? pra mim muito!

seja! 

sábado, setembro 11, 2010

e depois há dias..

... em que posso conduzir pela marginal de manhã e sentir um sol e um cheiro a mar que pensava que já não existiam.. dias em que aparece um "anjo" no meio do sítio mais improvável (e não obstante, as minhas dores do mundo). 

nesses dias parece que tenho mesmo razões p'ra esperança, parece que há pequenos raios a saírem das nuvens.

e se por um lado, à tarde oiço alguém dizer que Jesus não existiu (medo! da ignorância mesmo), por outro lado alguém que faz anos decide, numa sexta-feira à noite, comemorar com uma oração entre amigos.

e entretanto, algures, vou (mais uma vez) despedir-me da "outra" ao aeroporto. de quem eu gosto TANTO, que até me dói o coração, só de pensar nisso.

vá-se lá entender estes dias!

haja coração!

terça-feira, setembro 07, 2010

do Amor

"O Amor não é um sentimento, é uma opção de vida. Por isso devemos permanecer nele, mesmo nas dificuldades."


Pe Miguel Almeida, sj 
in Homília Missa de Envio LD 2010

quarta-feira, agosto 25, 2010

da tentação da inutilidade

se me fosse guiar pela definição do dicionário, a palavra inútil é ainda mais pesada do que o que me pesa agora a mim.

mas pesa, vai pesando... é mesmo aquela "tentação" a moer, a pisar, a suspirar-me ao ouvido, a puxar-me pra dentro dela... só que já me fala há tanto tempo, que, sem querer, começo a acreditar...

quinta-feira, agosto 19, 2010

e entretanto no caminho...



foi tão difícil que é impossível de descrever... e mesmo os meus pés que podem ilustrar um pouco a minha dor, não chegam para tudo o que me passou pelo corpo e pela alma.

é difícil o caminho quando não estamos preparados, quando há quem ande mais depressa que nós, quando somos fracos. é difícil caminhar sem olhar pró lado, prá frente, pra trás. impossível carregar somente o peso da mochila, vem ainda o das dores do corpo (que é subitamente muito mais pesado) e o das dores da alma. impossível não aparecer o nosso lado lunar a colar-se a nós como sombra à qual tentamos, inutilmente, fugir. 

teria sido impossível chegar até ao fim senão gritasse constantemente ao mau espírito dentro de mim: "vai-te embora! eu sei que consigo porque não sou eu que consigo, é Deus que consegue por mim". E repetir até à exaustão as frases de S. Paulo:
"Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim" Gl 2, 20a
"Pois quando sou fraco, então é que sou forte" 2 Cor 12, 10b
"Tudo posso, Naquele que tudo pode" Fil 4, 13
"Por isso, não desfalecemos, e mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia. Com efeito, a nossa momentânea e leve tribulação proporciona-nos um peso eterno de glória, além de toda e qualquer medida. Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas." 2 Cor 4, 16-18
"Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes. Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível. Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar. Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado." 1Cor 9, 24 - 27

e sem ser de repente mas sim de mansinho, perceber que há sacrifícios, que a maioria deles aliás, só valem a pena ser feitos quando feitos por Deus. que não há nada que pague a nossa alma. que há sempre mais que podemos dar. que há sempre mais um bocadinho de caminho que conseguimos fazer, mesmo quando o nosso corpo parece querer impor limites. que somos mais fortes do que os kms que nos assustam, do que as distâncias que nos desalentam, do que o que dizemos que somos capazes. ainda que custe, ainda que doa, ainda que se prolongue mais do que pensámos, ainda que tenhamos que "ter esperança contra toda a esperança". ainda que tudo diga que não, se conseguirmos gritar bem fundo que sim... Deus ajuda e dá a força. e nós superamos-nos. até à próxima. pelo menos até à próxima queixa. até à próxima vez que for preciso voltar a acreditar.

mas o acumular da kilometragem começa já a indicar que é sempre possível. e por isso seremos mais fortes na próxima prova. teoricamente....


Haja caminho e as setas de Deus a guiar-nos..


Foto: Margarida Paccetti Correia