sábado, março 10, 2012

tempo de luto.

da morte matada e enterrada.

segunda-feira, março 05, 2012

quem é o teu Isaías?

O meu Isaías sou eu própria. O medo de me perder, não me deixa entregar. O medo de perder, não me deixa confiar. Sempre aos soluços, pouco inteira. Sempre na hesitação, na dúvida.
Às voltas com Deus e com os homens. Presente constantemente a permanente sensação de algo de profundamente errado.
Sozinha.
Vacilante.
Umas luzes por vezes, alguém que se faz luz. Muitas graças.
Muita crueza. Muito e n c a l a c r a d a em mim própria. Muito complicada. 
Se nem ela me percebe...

Voltas. Círculos. Des-sentidos. Procuras sem fim.

Porquê? Para quê? Mas sobretudo.. para onde?

sábado, fevereiro 25, 2012

piedade

Jesus, 

tem piedade 

de mim 

que sou pecadora!

domingo, fevereiro 12, 2012

Luz terna e suave

Luz terna, suave, no meio da noite,
Leva-me mais longe.

Não tenho aqui morada permanente:
Leva-me mais longe.

Que importa se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar constantemente
Poisada a clara luz do Teu olhar?

Nem sempre Te pedi como hoje peço
Para seres a Luz que me ilumina
Mas sei que ao fim terei abrigo e acesso
Na plenitude da Tua luz divina.

Esquece os meus passos mal andados
Meu desamor perdoa e meu pecado
Eu sei que vai raiar a madrugada
E não me deixarás abandonado

Se Tu me dás a mão, não terei medo
Meus passos serão firmes no andar
Luz terna, suave, leva-me mais longe.
Basta-me um passo para a Ti chegar.

domingo, janeiro 29, 2012

da noite transformada em dia

e depois há os dias em que tentamos devorar outras vidas próximas à pressa porque não há tempo. roubam-se horas ao sono, trocam-se chás e projectos, dão-se passos no Chiado e tenta-se arrumar as casas interiores e exteriores. tudo deveria ter sido diferente, sim. mas às vezes sabe bem ser a vida a conduzir e o que se partilha não se perde jamais - porque existe para sempre em ambos os corações. não há soluções, nem sequer caminhos, mas fala-se pelo menos da ilusão de curar os males dos mundos todos que levamos na alma. e há esperança, daquela de amigos, daquela de momentos. pode nunca ser, mas já o foi nos nossos delírios verbalizados.

é bom poder verbalizar o delírio, as crueldades, a insensatez. fazendo tudo, sem fazer nada.

eu é que fui bem-vinda, afinal. e não há nada como ir buscar alguém a um aeroporto e ser finalmente... recebida.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

terça-feira, janeiro 17, 2012

01/10/2012

yes, I can!

terça-feira, janeiro 10, 2012

nada fácil

ao contrário do que alguns possam pensar, não é nada fácil ser eu.

a maioria das pessoas vê-me e não me olha, mesmo as mais próximas. 
o que quero dizer é que olhar-me dentro, seria conhecer-me. e conhecer-me custa. custa sempre e toda a gente que teima em ignorar os meus avisos. bom, se estás a ler isto, estás avisad@. 

às vezes forço o olhar sem querer. forço involuntariamente que olhem cá dentro, pra no segundo a seguir me arrepender.

é sempre uma surpresa. é sempre uma dor. nem a uma mão chega os que aguentaram o embate. quanto mais inesperado, mais duro. os que aguentaram valem para vida, mesmo que não fiquem para a vida. são santos ou heróis (mas dos reais), como prefiram. sobreviveram ao que sou, o que é, no mínimo, corajoso. há outros que permanecem, mas é só porque apenas me vêem e ainda não me olharam (mas não o sabem, apesar do meu aviso).

aos que ficaram pelo caminho, é-me impossível culpá-los. se às vezes nem eu me aguento. é que não é mesmo fácil. e há qualquer coisa de inexplicável nesses que insistem em ficar, porque nem sequer é por mérito ou vontade (há quem queira mas não consiga). soa-me a algo perto do incondicional, perto de Deus. é um dos mistérios na minha vida pelo qual estou mais agradecida.

aos que vão partindo, infelizmente, posso apenas manifestar tristemente que lamento com todas as minhas entranhas e garantir que me doí mais a mim do que eles, mesmo que isso se assemelhe ao inacreditável.

não podemos voltar atrás, não podemos deixar de ser quem somos (mas sim podemos tentar melhorar), mas há coisas das quais também não podemos esperar perdão. pelo menos do humano. tenho que assumir as consequências do que sou, ainda que às vezes o seja inconsciente e impulsivamente. tenho que assumir as consequências do que sou. é cruz, trabalho a esperança da ressurreição. 

é (mais uma vez) caso para dizer: valha-me Deus! - é que se nem Ele me valer, é o desespero!

domingo, janeiro 08, 2012

luz?



















hoje o Padre "prometeu" que na noite escura há sempre uma luz.

sábado, janeiro 07, 2012

Chamada a ser Esperança...

... até de mim própria! 


Ano Feliz!

quinta-feira, dezembro 29, 2011

quinta-feira, dezembro 22, 2011

"Somos a autobiografia de Deus"

Quando despontarem as primeiras luzes do Seu cortejo
ainda nos faltará tudo:
o azeite na almotolia,
um alfabeto que descreva com outra firmeza o azul,
formas indivisíveis para este amor,
que só em fragmentos
e numa gramática imprecisa
conseguimos viver.

Quando despontarem as primeiras luzes
estaremos talvez longe:
à altura dos olhos continuaremos a trazer a mesma indisfarçável solidão
as mesmas mediações ilegíveis através do tempo
as mesmas demoras tatuadas.

O Seu advento encontra-nos sempre impreparados
e, contudo, este é o momento em que
por puro dom se nasce.

A Sua vinda testemunha o que não sabíamos ainda:
a nossa frágil humanidade é narração
da autobiografia de Deus.

José Tolentino Mendonça

domingo, dezembro 18, 2011

melhor prenda do mundo

arroz doce da avó, acabadinho de fazer, já com canela no tacho e tudo! (:

quarta-feira, dezembro 07, 2011

das (preparações das) viagens

devia estar a fazer a mala, mas não resisti.

há milhares de pessoas que já escreveram sobre esta adrenalina pré-viagem, sou apenas mais uma.

quando se gosta de viajar e se o faz com menos frequência do que a queremos, a viagem seguinte é sempre a melhor, seja qual ela for. e voltar a Roma, à Roma que marcou o meu coração há 11 anos atrás, com tudo por adivinhar de novo, cria esta excitação infantil.

já sei que só quando chegar ao aeroporto é que vai ser real. até lá é sempre uma miragem entusiasmante e sujeita a qualquer imprevisto e improviso. só me convenço quando o check in está irremediavelmente feito e as malas entregues. como se até lá.. não passasse de um sonho muito sonhado mas distante. aquela coisa de fazer as malas, de procurar o que já sei que me vou esquecer.. de querer adiantar o relógio na esperança de que os tempos mudem inequivocamente e nunca mais se olhe para trás, na esperança de que uma outra dimensão se abra nos nossos mundos interiores.

é isso: uma viagem é uma promessa. de mundos novos, de saudades velhas, de caminhos não percorridos.

entretanto esta viagem tem o carácter especial de incluir uma preparação de coração, porque as cidades que visitamos pelos olhos de quem as habita, são não só mais reais, como menos superficiais e podem mesmo revelar segredos jamais descobertos pelos mapas. porque os mapas são os desses mesmos corações que ao se encontrarem partilham o que lhes corre nas veias e rasga as almas.

e apertar os olhos e as mãos com muita força, repetindo insistentemente que está quase. pode ser que assim o quase chegue mais depressa!

segunda-feira, novembro 28, 2011

tenho um amigo-irmão

tenho um amigo-irmão com o coração do tamanho de todos os mundos. é um coração que se adapta ao coração que tem à frente. faz-se grande se necessário e mingua quando tem que ser.

tenho um amigo-irmão que procura estar inteiro, que vence mil barreiras mas precisava de vencer ainda a mil e um. gostava que ele soubesse que ele não é um super-homem, porque os super-homens não existem, mas existem os homens-super. e ele é bem mais que um homem-super: é um homem-mega (ou será ómega?! :)

tenho um amigo-irmão que queria que soubesse que, de facto, para estar inteiro em tudo, não se pode estar em muita coisa, mas também que não somos seres divididos e que as lutas que travamos são longas. mas afinal.. não andámos já todos no caminho da felicidade?

tenho um amigo-irmão que ainda que existisse só por minha causa e me fizesse só bem a mim, já tinha ganho o céu, mas a verdade é que ele está destinado a ganhar também a terra e por isso já é pão para muitos (ainda que ele ainda não o saiba).

tenho um amigo-irmão que é das maiores graças que Deus me deu e perante o qual me calo muitas vezes, por só o silêncio traduzir tal contemplação.

tenho um amigo-irmão que é a pessoa que mais posts "individuais" já tem neste blogue: há-de haver uma razão (é que ele é meu amigo-irmão).

obrigada!*

segunda-feira, novembro 21, 2011

Cachopo

da Páscoa que escrevi, mas nunca cheguei a publicar
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Perdemo-nos nos montes perdidos de Cachopo para visitar, acompanhar e ressuscitar com um Jesus, que também teve que se deixar perder para nos fazer reencontrar a todos com a verdadeira vida.

Nesta aldeia algarvia encontrámos a simplicidade e a pequenez. Não são muitas as pessoas, mas são todas genuínas e por isso genuíno é o acolhimento com que nos recebem e nos alargam o coração. Fomos para animar a Liturgia e saímos de coração animado. Procurámos levar esperança e companhia e saímos com Amor. Preparámo-nos para rezar com os para quem fomos enviados e estes apresentaram-se como eles próprios uma oração digna de uma vida inteira para contemplar.

Dizia a Joana: “são coleccionadores de memórias”. E é verdade. Estas gentes grandes em idade e património sentimental (mesmo os mais pequenos), fizeram com que o sentido de estar ao serviço fosse de facto a enormidade das suas pessoas mais do que os números “simbólicos” que são para outros. 

“Em tudo vos demonstrei que deveis trabalhar assim, para socorrerdes os fracos, recordando-vos das palavras que o próprio Senhor Jesus disse: ‘A felicidade está mais em dar do que em receber.’” (Act 20, 35)

E assim foi que ao terceiro dia, ressuscitámos! 
Obrigada, Cachopo!

quinta-feira, novembro 03, 2011

da solidão

da solidão que corta a alma. 
não porque estamos sozinhos, mas porque estamos sós.
porque só podemos estar sós. porque há coisas que se resolvem entre me, myself and I.

porque não existe absolutamente ninguém no mundo que nos possa ajudar, sem ser, obviamente, o próprio do Absoluto. porque o Absoluto às vezes também se cala, porque às vezes não O deixamos falar. 

porque há desertos e os desertos são inevitáveis.

porque há quem nos falhe para pudermos compreender que, ultimamente, com quem contamos é mesmo só com nós próprios. doí mas.. so what?

o ano mais só da minha vida, foi também o que cresci mais. 
venha outro. 
sei que sobrevivo, contra todas as probabilidades.

domingo, outubro 23, 2011

imperfeições

[enviado pelo oportuno F.]

"Com frequência tu pensas, ao olhar a ti mesmo e ao fixar-te só nas aparências exteriores, que és incapaz de fazer algo, que nada sabes, e que pouco podes esperar do teu trabalho com os próximos. Mas o Senhor, com o seu Espírito, leva-te a pensar o contrário, infunde-te confiança e coragem [...] Não dês crédito aos maus espíritos que sempre te pintam catástrofes e tentam fazer-te ver tudo negro. Procura fazer-te instrumento do bom espírito, que te mostra as coisas como ele quer que sejam, e pela sua parte está disposto a que assim suceda, fazendo de ti instrumento seu [...] Há que afastar com diligência todos os sentimentos do espírito contrário, sem preocupar-se em excesso com as imperfeições que ele te coloca à frente, nem dar-lhe tanta importância como eu lhe dava. Porque ao não fazer-lhes caso se desvanecem. E se me detenho nelas, desanimam-me e tornam-me mais imperfeito" 

in "Memorial de Pedro Fabro" de Pedro Fabro

domingo, outubro 02, 2011

MAIS!

Quando nos entregamos aos outros tão genuinamente que nem o pensamos, quando temos os olhos postos em quem queremos servir, é inevitável que os milagres aconteçam.
Milagres, sim, plural. Mais que isso, milagres de Amor. Vidas dadas na totalidade à totalidade. Vidas partilhadas no Amor e na descoberta de que é possível de uma forma e s t u p i d a m e n t e fácil, ser MAIS, fazer MAIS por alguém, levar MAIS a alguém.
Então o Amor flui. Já ninguém sabe de onde veio, nem como começou, já não se sabe quem deu a maior quantidade ou quem fez o maior esforço, porque o Amor é o mesmo e igual entre todos, porque o Amor corre com força e não há nada que o faça parar. Porque é evidente. Porque é necessário para cada gesto. Porque não faz já sentido sem ser assim.
Seguimos. Estupefactos, sem acreditar como tanto Amor pode passar por nós. Como atrás de MAIS, há MAIS e MAIS Amor. Como o Amor é tão grande. Como nos toca na pele.
Aconteceu naquele momento que sabemos "artificial", "criado", "montado". Mas parece que teima em permanecer. Parece que não nos larga. Que mantêm laços. Que nos persegue.
Inunda-me. Espanta-me. Cega-me a luz imensa deste Amor.
Há sempre uma lágrima a espreitar quando dele falo. Há sempre uma ilusão de que posso "re-criá-lo".
Não parece sonho, porque não foi. Não parece longe, porque está perto.

É a relação humana que muda. São pessoas que mudam pessoas. Não são acontecimentos nem coisas. São pessoas reais com corações reais. São os encontros entre essas pessoas, são as vidas partilhadas e entregues, confiadas... É quando o tempo pára connosco lá dentro e se ouve só os corações a baterem. Quando os abraços são colados, são amados.

Tudo porque quando somos tudo, somos MAIS. 

quarta-feira, agosto 31, 2011

de coração cheio


é difícil escrever de coração cheio e de um mundo de coisas a passar por ele que não o trabalho do dia-a-dia.


hei-de escrever.