quinta-feira, julho 08, 2010

porque não posso controlar

sinto-me, na maioria das vezes, esmagadoramente pequena... mas só compreendo o alcance da minha pequenez quando NADA depende de mim...

e quando sinto verdadeiramente que NADA depende de mim, assusto-me.

sei bem que a minha/nossa condição é precisamente essa de NADA depender de nós, mas é-me bastante confortável sentir também que posso fazer realmente algo em grande parte das situações, que posso ter um papel, que posso dar, que posso ter a iniciativa, que há algo que fará a diferença, que há uma coisa pequena que posso fazer. Uma coisa pequena, só uma, já me dá sentido. Mas quando não há NADA que dependa de mim, quando não há NADA que possa fazer.. aí sim compreendo o tal alcance da minha pequenez.

e não só me assusta como quase me frustra. a impotência. o ter que esperar. o saber confiar. e entregar. entregar, pelo menos, Àquele a quem devo a vida. entregar-Lhe tudo. Dizer-Lhe: agora é Contigo, agora és Tu. e seres Tu implica que é quando Tu quiseres, o que quiseres, da forma que quiseres.

e ficar quieta à espera. ora aqui está o problema são duas coisas muito difíceis para mim: estar quieta e esperar. mas na verdade a questão está em eu saber que há algo que eu não posso controlar: que me escapa, que está para além das minhas capacidades e possibilidades. e o que não controlo deixa-me sem chão. é-me difícil aceitar.

no fundo, no fundo é tudo um exercício de confiança. e os 2 exercícios de confiança, de aceitar, de entregar que Deus me pede neste tempo são dos mais difíceis que tive que fazer. mas tem que ser. e o que tem de ser... tem muita força.

terça-feira, julho 06, 2010

UNICEF

A partir de hoje sou oficialmente fundraiser da UNICEF.


Até era um ganda job senão fosse um nome pomposo pa um partime que é andar na rua a chagar as pessoas pra serem doadores regulares da UNICEF. 


Mas não me tou a queixar! É bom, muito bom.. até ver! ;)


***

sexta-feira, julho 02, 2010

menino do meu encanto

Nunca tinha chamado isto a ninguém, nunca pensei chamar sequer, mas saiu-me num dos dias em que partilhava o entusiasmo do seu novo caminho!

Sobretudo nunca tinha pensado em chamá-lo a alguém que não fosse uma paixão (no sentido estrito, limitado, vulgar..). Mas a verdade é que falamos duma pessoa apaixonante e de um terno amor meu. Mais ainda amor e mais ainda meu, porque de todos, porque decidido numa vida entregue a Deus.

Hoje recebo um telefonema brilhante deste mesmo amor. E no meio de uma conversa rápida de novidades e andanças, diz-me ele: "se eu tivesse acesso à net, criava um grupo no FB de pessoas que não gostam de pessoas inconstantes e ainda seríamos uns quantos!". E logo a seguir: "pois é, nisso somos mesmo iguais".

Não é que não gostemos mesmo de pessoas assim.. o problema até é que gostamos e muito, senão nem era assunto que nos perturbasse.. só que é algo que nos dá comichão, que nos deixa perdidos, que nos tira o chão. Somos pessoas de decisões e convicções sérias e profundas. E tudo o que seja indefinição faz-nos tremer. Particularmente adeptos da frase brutal e dura do Livro do Apocalipse: "Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca." (3, 15-16). Não é que sejamos especialmente radicais e/ou intolerantes mas quando ficamos em suspenso por causa de outros, é-nos difícil aceitar.

Do lado positivo pressupõe que somos pessoas altamente implicadas e comprometidas em tudo o que estamos envolvidos e com quem estamos envolvidos. Fiéis, permanecemos.

E entre nós, muitas vezes só mesmo entre nós, é que desabafamos estas dores de dificuldade de aceitação dos que não conseguem colocar-se assim na vida. Inteiros. ("Para ser grande, sê inteiro" - o nosso Fernando Pessoa)

Este menino do meu encanto, permanece encantado. E continua a encantar mesmo quando penso que estamos um bocadinho mais longe. Só ouvi-lo rir ao telefone, enche-me o coração. É ele que me faz desviar do meu percurso para entrar numa loja de música em Coimbra, só porque sei que ele vai ali às vezes e que gosta muito. Só para tentar sentir o que ele sente.

Estamos mesmo juntos. Na missão, no Amor. Somos tão amigos, que já somos Amor. E ele ainda me encanta, como um Amor que é sempre novo.

É por estas e por outras que digo que sou uma menina mimada do Pai. Ele é tantos mimos que quase me estraga! :)

quarta-feira, junho 30, 2010

não há lugar para Moçambique em Portugal

Ontem fui ao Largo de S. Carlos ver um espectáculo de música tradicional moçambicana.

Primeiro que tudo é importante dizer que fui sozinha. Muitas meias combinações, muitos "talvez vá lá ter". Decidi que ia com ou sem companhia. E pus-me a pensar neste facto. Há 4 anos atrás seria incapaz de tal. "E se depois encontro alguém que conheço e estou sozinha?"; "Assim não tem graça."
Mas tem toda a graça do mundo estar na qualidade de observadora apenas e não de também comentadora. Tem graça quando alguém mais atento observa que estou sozinha e volta a olhar. Quase que lhes leio os pensamentos que lhes saem desse olhar: "estará sozinha?"; "estará à espera de alguém?"; "que estranho". O meu olhar chega a muitos mais sítios. O meu sentir também. E sobretudo não se perde algo que queríamos genuinamente fazer só pela desculpa da companhia. E absorve-se.. absorve-se tudo. Cada detalhe. É como se fosse uma espiã, uma carta fora do baralho a tentar perceber, captar. Gosto muito. Não me estou a tornar uma solitária, mas gosto de estar sozinha no meio de muitos e já há poucas coisas que não faça nem não goste de fazer sozinha. O partilhado sabe muito muito bem e quem me conhece sabe bem também o valor que lhe dou, mas o silêncio e o saber estar comigo própria tem ganho um lugar muito particular na minha vida (mas talvez ainda volte a este assunto noutro tempo, que hoje ainda há mar por desbravar :)

Importamos África. Nós, sim, os europeus. Os africanos percebem o que gostamos, adaptam, vendem. Não que a música e a dança ontem não fossem de qualidade ou não fossem África, mas não é o genuíno. Não tinha a pujança, a espontaneidade, a eloquência africana. Era Moçambique sem sal. Uma versão condensada e um pouco limitada. Só mesmo os comentários dos músicos entre as actuações me soavam a verdadeiro. No fim, até teve direito à festa e à expansão de alegria (como convém) com toda a gente que quisesse a subir pró palco e a dançar, mas até isso foi meio forçado. A minha expectativa era grande, sim. Como se estivesse sedenta e crente de poder encontrar Moçambique naquele pequeno largo de Lisboa. Mas nós, os europeus, importamos o que nos encaixa melhor, o que é menos "bruto", mais "civilizado". Não conseguimos despegar-nos do que somos. É-nos difícil aceitar o outro tal e qual ele é. Sim, tem que ser um espectáculo "digno", à altura do Festival de que falamos, mas mil vezes as nossas festas improvisadas com a música que houvesse e o som péssimo da nossa casa de Lichinga. Mil vezes as mamãs a dançarem nas eucaristias depois de ensaiarem mil vezes também, algo que não precisavam de ensaiar porque acabam por, naturalmente, "seguir o ritmo da música" - "como não consegues, Andreia?? é só ouvir a música!". Mil vezes as crianças que dançam ao desafio desde a capulana da mãe e sem "fatos de gala". Mil vezes os cantos dos funerais, as músicas das festas muçulmanas, as danças cerimoniais. 
Não, ainda não se pode ver Moçambique em Portugal num largo de Lisboa por muito que se grite no fim: "Moçambique, OYÉ!". Até porque a plateia destreinada ainda responde: "OOOO" em vez de "OYÉ!".

E venho-me embora, sozinha, e sorridente: "ainda não conseguiram roubar a alma a África. Graças a Deus!"

Comichões minhas. Juízos de valor meus. Sentidos próprios. Valem o que valem.

segunda-feira, junho 28, 2010

não é a mesma coisa!

O mundo que perceba isto:


Não sou esquisita, sou selecta. Parafraseando a minha amiga J.


E não, não é nada a mesma coisa.

quarta-feira, junho 23, 2010

tenho esperança, mesmo de noite!

Cantar da alma que goza por conhecer a Deus pela Fé 
(S. João da Cruz)

Que bem sei eu a fonte que mana e corre
mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite..

Sua origem não a sei, pois não a tem,
mas sei que toda a origem dela vem,
mesmo de noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela,
e que os céus e a terra bebem dela,
mesmo de noite.

Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
e que ninguém pode nela a vau passar,
mesmo de noite.

Sua claridade nunca é obscurecida,
e sei que toda luz dela é nascida,
mesmo de noite.

Sei que tão cautelosas são suas correntes,
que céus e infernos regam, e as gentes,
mesmo de noite.

A corrente que desta vem
é forte e poderosa, eu o sei bem,
mesmo de noite.

A corrente que destas duas procede,
sei que nenhuma delas procede,
mesmo de noite.

Aquela eterna fonte está escondida,
neste pão vivo para dar-nos vida,
mesmo de noite.

De lá está chamando as criaturas,
que nela se saciam às escuras,
porque é de noite.

Aquela viva fonte que desejo,
neste pão de vida já a vejo,
mesmo de noite.



*Obrigada F.!

domingo, junho 20, 2010

dama de companhia

Gosto do K. Gosto mesmo. No dia dos anos dele (e como estamos os 2 desempregados) combinei ir passar a tarde com ele. Mas o K. é muito atarefado e lá fomos cumprir a listinha: acabar de lavar a loiça do almoço, orientar as coisas em casa, ir comprar uma tv, encomendar um estrado e lanchar (ele é um querido e pôs uma mesa cheinha de coisas pra mim - é um bocadinho exagerado também, mas fome não se passa naquela casa). Ainda queria que eu ficasse pra jantar, mas os meus planos já eram outros.

Ora que interesse é que isto tem? Pra vocês nenhum. Para mim é quase existencial.

Este dia faz-me lembrar várias coisas: o K. é um amigo à séria e as tradições ainda são o que eram (quando esteve em casa lesionado, também ia todas as semanas visitá-lo e todas as semanas havia o lanchinho) e que sou a dama de companhia oficial.

Não desgosto, até acho uma certa graça. Acho uma certa graça que as minhas amigas me "confiem fielmente" os seus namorados quando não se encontram e que as namoradas dos meus amigos (como é caso do K.) se sintam plenamente tranquilas quando estou com eles. I'm trustable.

Ainda há duas semanas o H. veio ter comigo enquanto a A. está na Guiné, quando a S. estava em Moçambique fui almoçar com o L. O R. vai-se casar daqui um mês e continua a chamar-me carinhosamente de "amorzinho" com o conhecimento da sua noiva A. And so on... Exemplos é que não faltam.

Conclusão (e daí o existencial): talvez a minha vocação seja mesmo a de "dama de companhia". E que seja. I'm happy with that.

*** 

quarta-feira, junho 16, 2010

no money, no mimos

sabem o que é me chateia MESMO de não ter dinheiro?!


não poder mimar os meus amigos com prendas e surpresas..


e não poder viajar...


só isso mesmo, juro!

segunda-feira, junho 14, 2010

should I worry?

Andamos a pensar na despedida de solteira da A. e eis senão quando a M. me manda um mail com umas sugestões e diz no final:

"Espero então pelo teu lápis azul da censura"


Confesso que amo a expressão. Não diria melhor.. e de certa forma quase que me orgulho de ser digna dela... mas por outro lado... não posso deixar de pensar que isto pode descambar pro meu lado lunar, aliás.. na verdade o que não posso mesmo deixar de questionar é porque razão as pessoas me vêem assim... Considero que já fiz uma grande evolução em relação ao meu hipercriticismo, mas será que fiz mesmo? Ou já não me livro é da fama?

Isso leva-me para a eterna questão já defendida por muita gente, ainda que não generalizada: não existem defeitos nem qualidades, existem características pessoais que tanto podem ser potenciadas para o bem como para o mal... ou seja.. vem da "tese" antiga, também subscrita por Santo Inácio, de que podemos usar de tudo TANTO QUANTO isso seja para maior amor e serviço do nosso Deus.


isto tudo para dizer que espero que, finalmente, eu tenha conseguido inverter a balança e o meu olho clínico esteja mais ao serviço do bem do que do mal, assim Deus me ajude! :)


Either way, já sabem.. precisam de um lápis azul da censura? Eis-me aqui! :)


Santo António?!


quarta-feira, junho 09, 2010

não querer pensar

Uma pessoa pediu-me um livro que não obrigasse a pensar.
É quase como pedir-me que eu não seja eu.
Procurei o livro e até acho que encontrei (infelizmente há tantos livros que não obrigam a pensar, quando se pensaria que essa seria uma qualidade inalienável a ser livro).

Fiquei a pensar nisto.

Não queremos pensar. Pra isso já temos os estudos, o trabalho. Não queremos aprofundar, isso só dá mais trabalho. E depois as vidas são vazias mas nem sempre na consciência, muitas vezes na ignorância. Mas será que... esta pessoa que me pede este livro pra não pensar é pior que eu? Tenho quase a certeza absoluta que não - e é senão for melhor, porque a conheço bem (se bem que também podíamos discutir o que é ser melhor que alguém..).

Então porque é que me incomoda o não querer assumidamente não pensar? Porque não me imagino fora da profundidade. Porque preciso de ir cada vez mais fundo, porque me chateia ficar pela "rama", não perceber, não conhecer, não me aproximar. De tudo, de todos. Porque tenho medo que esta pessoa esteja a fugir da verdade (bonita) que é, mesmo sem saber. Porque tenho medo que se ande a enganar em muitas coisas só porque não quer mergulhar. Porque tenho medo que a superficialidade acabe por ganhar.

Mas isto tudo sou só eu... porque ela não quer pensar..

(suspiro)

terça-feira, junho 01, 2010

estás aí

quando Deus diz mais, mais tarde.


quando olhamos e conseguimos surpreender-nos.


quando estamos "cansados" de tanto bem recebido.


quando nos encontramos com o Amor Único. com o Único Amor.


quando somos as estrelas e pouco mais importa. mesmo que ninguém mais queira ver o nosso brilho. ele está lá.

sábado, maio 15, 2010

PaPa Bento XVI

Estou como muitos: de boca aberta e coração derretido.

Não é que fosse contra este Papa, nunca fui, acho que não se podem fazer comparações. São pessoas diferentes, logo posturas diferentes. Deus não chama tanta e tanta gente diferente? E somos todos Igreja à mesma.

Mas a verdade é que também nunca procurei saber muito deste Papa. Li a primeira encíclica e that's it.
Sendo que nunca o critiquei, a verdade é que também não fiz por conhecê-lo.

E ele aparece aqui e de repente é surpreendentemente próximo, surpreendentemente nosso, surpreendentemente Amor, surpreendentemente congregador, surpreendentemente tranquilo, surpreendentemente sorridente, surpreendentemente atento, surpreendentemente centrado, surpreendentemente acessível, surpreendentemente engraçado, surpreendentemente cativante, surpreendentemente disponível, surpreendentemente tímido (e talvez daí a fama de distante), surpreendentemente mobilizador.

O que ele conseguiu na Igreja portuguesa é estonteante: juntar tudo e todos nos mesmos lugares pelos mesmos caminhos, com a mesma força. com a mesma vontade, com a mesma fé. Sem dispersões, sem divergências: centrados no essencial. E os silêncios que conseguiu são inigualáveis: só o do Terreiro do Paço esmagou-me, nem quero imaginar o de Fátima.

Os números impressionam mas são sempre poucos por comparação com a restante população portuguesa. Mas não posso deixar de pensar na quantidade de católicos que saiu do "armário" por estes dias e que se assumiu como nunca o tinha feito para aderir à coisa mais difícil hoje em dia na vida da fé: o Papa. E quantos, quantos, Senhor, serão os que a partir daqui passam a ter uma fé mais comprometida, esclarecida, expressa?! Têm que ser muitos certamente. É uma experiência que só pode deixar frutos.

Sempre que nós achamos que estamos mortos, que somos poucos e pouco fortes.. Deus vem e lembra-nos que Ele é quem escolhe isso e se Ele escolher que estamos vivos, que somos muitos e muito fortes - Ele dá a graça e torna-se realidade.

Não sei o futuro, mas sei que valeu a pena. Valeu muito a pena!

Haja Papa pra nos juntar a todos!

**

segunda-feira, maio 03, 2010

terça-feira, abril 20, 2010

Entrega

Sei Senhor que na vida
Nem sempre temos tudo,
Tudo dado.
Por isso aqui estou
Pronto para ser,
Ser ajudado.

Senhor, a Ti me entrego,
Com todo o coração!
Eu nunca fui tão sincero,
Não sei mais o que fazer,
Sem Ti eu não sei viver!
Ouve a minha oração,
Senhor dá-me a Tua mão!

Sei Senhor que não posso
Ter tudo o que quero
Ou de que gosto.
Por isso peço-Te a Ti
Que me leves sempre,
Sempre conTigo.

segunda-feira, abril 05, 2010

Ressuscitou!

Contra todas as expectativas, contra tudo o que de menos bom este mundo nos propõe, contra todas as evidências e contra toda a lógica... Jesus continua a ressuscitar!

Todos os anos sabemos a história e todos os anos Ele ressuscita de maneira diferente.

Que este ano possa ser nos nossos corações, que os ressuscite e que com isso.. renove as nossas vidas!

Aleluia, Aleluia!

terça-feira, março 23, 2010

wondering

será que o problema é que só agora é que aterrei de Moçambique?

quinta-feira, março 18, 2010

do reconhecimento

Acredito no reconhecimento. Piamente.

Sei o valor e a importância que tem. 

"Sim, é verdade, se as pessoas dão pelas "razões certas" (haverá razões certas?) não devem esperar retribuição". Isto é a frase feita que aproveito para desconstruir. O que não devemos deixar que aconteça é que a nossa expectativa em relação à retribuição transforme em mau o que demos. Porque é impossível não esperarmos, em diferentes níveis, algum efeito. Exemplo simples: se sorrimos para outra pessoa pode ser só porque a queremos ver feliz, mas esperamos ainda que "inconscientemente", um sorriso de volta. E esse sorriso é uma retribuição. Altruísta, mas retribuição. Basicamente causa-efeito. A uma acção, esperamos uma reacção. Portanto, não interessa se temos expectativa ou não, interessa o que fazemos quando essa expectativa é frustrada. E disso depende até se a nossa acção original mantém o bem ou não. Ora, se eu der uma bofetada a quem não me sorriu de volta, de que adianta o sorriso inicial? Corro o risco de estar a ser simplista mas quero mesmo que a ideia seja perceptível.

E às vezes até nos sentimos mal por fazer uma boa acção pelas "razões erradas", mas não devemos por em causa a boa acção, devemos sim, como dizem uns iluminados que conheço por aí, ir purificando as intenções com que fazemos as mesmas boas acções.

Findo este preâmbulo volto ao início: é importante reconhecer.

É importante reconhecer o bem feito e a generosidade de que vamos beneficiando. Mesmo que a pessoa saiba gerir extraordinariamente bem até as poucas expectativas que possa ter. Não podemos deixar de reconhecer. Temos que agradecer, devolver o que é bom. Quanto mais não fosse, porque isso motiva a pessoa a continuar a ser bem.

E porque às vezes os outros não sabem a dimensão com nos atingiu a pequenez do gesto que fizeram (porque é que quando é mal que nos fazem, devolvemos mais automaticamente que o bem?). Porque precisam de saber o que repetir bem. O que ajuda. O que é intuitivo da parte deles, e por isso não pensado, mas que os faz levar o bem. Precisamos dos outros como espelho também. Porque lá está, mesmo que inconsciente, não deixa de ser bem. 

E de quantos e quantas vezes nos esquecemos de agradecer? De demasiados, demasiadas vezes. Por isso acredito que se deve devolver no imediato. Para não nos esquecermos. E depois.. ao longo da vida, sempre que nos passar pelo coração, voltar a agradecer. Nunca agradecemos demais. 

Sabem o verdadeiro significado da palavra OBRIGADO? Não vem de obrigação, como habitualmente somos tentados a pensar. Vem de ficar ligado a alguém que nos faz o bem. E não é tão bonito saber isto?

Isto tudo porque alguém me perguntou há pouco tempo porque é que eu tinha tanta necessidade de reconhecer os outros. 

**

P.S. Aproveito para agradecer a todos os que me lêem, incluindo os que o fazem sem eu saber, e que por isso dão um sentido a este blog.

quinta-feira, março 04, 2010

o que me faz voltar a escrever

Hoje gritaram "Andreia" no meio do bairro. Ainda pensei duas vezes mas olhei para trás e vi uma cara conhecida com um nome desconhecido. Precisavam de ajuda de uma assistente social. No meu relógio já passava da minha hora de saída e tinha acabado de estar em 3 casas diferentes no bairro. 

- "Pode ser o meu Amiguinho lá de cima a chamar. Nunca se sabe."

Quando dei por mim, estava a fazer um atendimento social "informal" num corredor do supermercado do bairro (entre farinha de mandioca de angola e chocapic) e uma promessa de um contacto que ia ajudar. Saio do supermercado. Já não sou invisível neste bairro. Já tenho nome, já gritam por mim na rua. E estou quase a ir. Mas só por hoje tinha valido a pena. Sabem que podem contar comigo. E venci a batalha do "Dra. Andreia". É Andreia que gritam e eu sei que sou eu.

Olho pró relógio. Afinal não é assim tão tarde. E foi, de facto, por uma boa causa. Gostava de ter todos os dias este discernimento: saber que tenho que voltar pra trás e "perder tempo". E não me preocupar com daqui a um mês já não estar lá. 

sábado, fevereiro 20, 2010

até ver

há um fosso dentro de mim que não me deixa escrever e não é preguiça, é falta de vontade, é falta de sentido, é desencontro.

talvez pare por uns tempos. parece que já não há nada pra dizer. como se tudo se tivesse esgotado.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

after

a digerir...

aguardam-se as cenas dos próximos capítulos...

entretanto, a minha casa volta a ser albergue, não queria nada perder este abergue que acolhe pessoas daqui a 2 meses...

**

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Encontro Ibérico Porto

Vou-me pôr a caminho do Porto amanhã cedinho...

Pode ser que dê pa arejar e me passe a ventania da dor. Só um bocadinho, só um momento que seja.

E vem o G.! :D

O G. é belga. E eu tenho medo de não lhe saber mostrar Lisboa! Não é ridículo?

Baci*

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Gostava mesmo de poder dizer tudo a todos.

As palavras contidas doem-me tanto.

Sei que não posso, mas sei que queria.

O desespero, às vezes, enlouquece-nos!

O que me vale é Deus. E só Ele.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

“Deus, anda cá” – José Luís Peixoto

"Afinal, não era preciso chamá-lo. Já cá estava. Eles dizem que Deus vê tudo o que fazemos. Vê o obsceno, vê o repugnate, vê o miserável. Deuse vê o invisível. Se existir céu e inferno, fico contente por ti, mas, por mim, sinto um certo receio. Repara, eles não dizem que Deus vê algumas das coisas que fazemos, não dizem que Deus vê apenas aquilo que é mais interessante ou susceptível de ser considerado na equação céu/inferno. Não, eles dizem que Deus vê tudo o que fazemos: tudo. Quando dormimos, Deus olha pacientemente para nós. Já olhei para ti enquanto dormias. Compreende que Deus não se canse de fazê-lo. Também quando esperamos, Deus assiste à nossa espera. Também quando lavamos o carro numa estação de serviço. Também quando passeamos num jardim ao domingo.
Ainda assim quero pedir-te que não imagines Deus como um velho reformado, sem vida própria, submerso em memórias, sozinho, sentado num cadeirão gasto, a ver televisão numa sala com os estores corridos. Nada é assim tão simples. Nem mesmo esse velho reformado é assim tão simples. Deus não vê apenas, Deus sabe. Ao contrário de mim, Deus não se detêm perante o teu rosto, tentando perceber se queres ou não queres, se gostaste ou não gostaste, tentando perceber o que significa aquilo que dizes e aquilo que insistes em calar. Deus sabe a distância precisa entre a ponta do teu nariz e o z desta palavra: nariz. Sabendo tudo, Deus sabe muita informação desnecessária. Sabe tudo o que sabemos e tudo o que não sabemos. Quando estamos errados, Deus sabe detectar o erro, sabe corrigi-lo e sabe todas as possibilidades de resolução do problema, sem erro, com erro e com todos os erros possíveis. Deus é mais exacto do que a Matemática. Melhor do que nós, Deus consegue entender a razão de cada gesto porque conhece todos os pormenores da sua história e relaciona-os através da verdade. Deus consegue ver o passado com a mesma nitidez absoluta com que olha o presente. Nas grandes multidões, nos apertos antes da entrada nos estádios, nos concertos, eles dizem que Deus está lá a seguir cada pessoa e, para atenção de Deus, cada um desses indivíduos é um mundo inteiro e completo. Eles dizem que Deus só pensa em nós. Passa todo o tempo a ver-nos por dentro e por fora. Testemunha cada episódio da luta que travamos com os nossos instintos, com os nossos impulsos e com os impulsos que surgem no nosso caminho. O nosso caminho não é uma estrada. Não sabemos o que é. Às vezes, parece que Deus nos colocou aqui como ratinhos num labirinto e, enquanto tira notas, espera que um dia encontremos a saída. Nascemos um dia.

Chegámos de onde não sabíamos nada e, consoante o que encontrámos, fomos aprendendo. Eles dizem que Deus assistiu a todos esses momentos. A sua mente não divagou, não se desintressou. Eles dizem que Deus nos vê desde o início, desde quando não sabíamos nenhuma palavra. Eu também te vi quando ainda não sabias nenhuma palavra. Eles dizem que Deus nos viu nascer. Eu também te vi nascer. Essa é uma das experiências que partilhei com Deus. Sabes, apesar de estarem quase a passar doze anos sobre esse momento, também eu o consigo ver ainda com nitidez absoluta. Acredito que nunca se apagará de mim. Ao contrário de Deus, eu sempre andei longe, o meu olhar foi espaçado, mas acredita, filho, nunca te esqueci, nunca deixaste de ser parte de mim. Não foi por querer que não pousei o cobertor sobre o teu corpo antes de dormires. Não foi por querer que não brinquei contigo assim que acordaste. Demorará até que entendas, mas esperarei o tempo que for necessário. Se Deus é pai como eles dizem, então deixa-me contar-te um pouco do amor que Deus tem por ti: Deus acredita que o amor que sente por ti é maior que ele próprio, Deus acredita que os lugares onde está não são todos porque tem a certeza de que o amor que sente por ti é maior do que todos esses lugares, Deus acredita que não sabe tudo porque o amor que sente por ti é maior do que tudo. Sendo teu pai, Deus também é teu filho, filho."

 in Visão - 12 de Junho de 2008

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

e se eu fugisse pra Índia?!

ninguém me conhecia.. começava do 0...

ia trabalhar como voluntária com as Missionárias da Caridade...

talvez possa ser uma hipótese...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

98%!

Dizem os psicólogos que comunicamos 2% com palavras, ficando os outros 98% entregues ao resto (= linguagem corporal).

Pra quê gastar o nosso latim?

quarta-feira, janeiro 27, 2010

É o Senhor! Coro Schoenstatt



não tem imagem, mas a letra diz tudo...



"É quem anda sobre as águas,
É quem multiplica o pão.
Quem acalma com sua voz meu temporal.
Quem me pede que encha as talhas,
Para dar vinho a beber.


É quem rema no mais fundo do meu ser.
É palavra que alimenta,
É a brisa que me alenta,
É a vida, é o caminho, é a verdade.

É o Senhor.
Não arde acaso o nosso coração ?

É o Senhor.
É quem me chama, é quem me ama,
É o Senhor.

Quem não vê as minhas faltas,
Mas minha fidelidade.
Quem constrói com a minha fragilidade.
Aquele que tudo sabe,
Mas me torna a perguntar.


Quem faz uma festa ao ver-me regressar.
É o fogo que me queima,
A alegria que me enche,
É a força que eu não sei explicar."

segunda-feira, janeiro 25, 2010

exercício de positividade

Então.. a não-novidade é que não ando muito bem... e como tal a S. propôs-me que, em vez de uma revisão de dia normal, eu olhasse só para as coisas positivas. E não é que me é mesmo difícil? Mas tem sido bom! :)


A semana passada, quando questionada sobre com um objecto me definisse, emudei... Então vem a L. em meu socorro e diz: "Sabes o que tu és? Um alfinete de dama!". E eu pergunto: "Mas porquê?". Resposta: "Porque serves para unir as pessoas!" Não é linda, ela?! 


Em Taizé no passado Novembro diz-me o P.: "Adoro o teu riso". Respondo eu: "É demasiado estridente, assusta as pessoas." Diz-me ele: "Não, não o podes perder. É contagiante e faz-te mais bonita!".


E ainda em Taizé, faz-se-me um clique: não sou a pessoa mais sortuda do mundo, sou a pessoa mais ABENÇOADA do mundo. Esta pequena mudança de palavras, muda toda a compreensão da coisa.


E aqui fica o meu exercício de positividade. É que estou precisada... e a L. e o P. mesmo que não digam a verdade, são maravilhosos só por me quererem fazer acreditar.


***

quarta-feira, janeiro 20, 2010

eureka

É preciso uma pessoa ir fazer uma ecografia aos olhos (e sequer ter conhecimento que isso é possível!) para lhe ser dito: "de facto, não tem nenhum problema, mas a morfologia dos seus olhos é diferente do normal".

Eu sabia que existia uma razão para os meus olhos captarem o que outros não captam. É porque eles são especiais... Afinal há uma razão. Suspeito agora que pra além do mais têm vida própria e vêm o que querem e quando querem.. por isso é que eu nunca os pude "dominar"... Há sempre uma explicação.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

namoro de amigos

Ontem.. no fim de ver o "Vizinhos" (Tiago Figueiredo) no CUPAV, encontrei-me (na mais profunda acepção da palavra) com um amigo... eram 23h e andávamos nós a pé às voltas em EntreCampos, como se fosse uma noite de verão com uma bonita lua cheia. Percorremos nessa caminhada as nossas rotas interiores e quase no fim da conversa subi (literalmente) a uma pedra para poder estar mais perto do coração e dos olhos dele. Depois de abraços sentidos e palavras soltas, desço e vamos de mão dada até à minha porta, tal qual dois namorados. Não fosse os nossos corações partidos e a mágoa de outros amores, talvez pudéssemos ser o casal perfeito.. ou talvez não. Porque a beleza desta relação revela-se em sermos plenamente livres para dizermos um ao outro que nos amamos, que podemos dar as mãos, assumindo convictamente que é a via da amizade que nos cruzou na vida e não outra. Ontem sentíamo-nos ambos frágeis e talvez por isso mais próximos. Mas também sabíamos que este amor-amizade nos ajuda, que não somos sós. E quando ele partiu, o seu coração já tinha voltado à sua dona e o meu ao seu dono. Não há nada a fazer. Porque sim, é verdade, não escolhemos.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

acompanhar

Ontem o R. fechou os olhos com muita força pra não chorar quando a enfermeira trouxe a agulha. Nos seus enormes 8 anos, que não se traduzem em tamanho, vi o medo e a antecipação da dor. A enfermeira diz que ainda não é desta porque aquele braço já está calejado. A mãe não consegue ver as expressões que nós vemos na cara do R. É cega. A mãe só segura a outra mão e diz que tudo vai correr bem. A enfermeira brinca com ele, muda de braço e diz que tudo vai correr bem. A força deste miúdo pasma-me e destrói-me o coração.. o que ele foi obrigado a crescer: não se queixou, não gemeu sequer. Só aquela cara contraída... Desce do colo da mãe e os papéis invertem-se: ele é o seu guia. Temos que ir à médica. Encontramos na secretaria uma pessoa já conhecida do R. e da mãe. É amorosa.. trata toda a gente bem. Sempre que alguém chega de novo, ela encontra sempre uma coisa positiva para elogiar. Conhece todas as crianças e pais pelos nomes. Mas mais importante que isso, conhece as histórias. Fico comovida a olhar pra ela. É só uma funcionária de uma secretaria mas faz toda a diferença na vida das pessoas que ali passam: doentes, médicos, enfermeiros, auxiliares. É jovem e bonita e escolheu fazer o seu trabalho com Amor. Agora estou é envergonhada... quantas vezes não coloco este Amor no meu trabalho...

Vou ao bar do hospital. Encontro um amigo médico. Fala-me de um doente que também precisa de encaminhamento social. Não chegamos a uma conclusão sobre o que fazer. Peço-lhe que fale com a assistente social desse serviço.

O tempo passa. A médica demora. O pequeno R. começa a enroscar-se em mim... ainda agora me conheceu.. mas precisa de carinho. Mantêm-se quieto.. e vai reagindo às brincadeiras dos enfermeiros que já o conhecem. Há uma pra quem ele corre. Há sempre alguém mais especial. É tão grande este miúdo...

Quando vamos embora eu e a mãe seguimos o caminho errado, não obstante as recomendações do R. Ele tinha razão e eu também sou cega.


E hoje, muda a cara a meu encargo. Muda o hospital. Mas persiste a existência de uma pessoa mais preocupada: outra enfermeira. E ambas suspiramos ao mesmo tempo quando a A. nos diz que afinal já não toma os medicamentos desde Dezembro. Temos tentado imenso e a A. não percebe... Não sei que hei-de fazer à A. Zango-me com ela e digo-lhe que não a posso ajudar se ela não se ajudar a si própria... mas no fundo sei que ela não percebe isso e que estou a tentar convencer-me é a mim. Porque já não sei o que faça mais e porque sei que a terei que "abandonar" em Abril e não me parece que alguma coisa esteja resolvida. A minha ira é sinal da minha própria frustação. Hoje, como ontem, voltei a ir à capela do hospital. São estas capelas que me têm safo... É onde entrego estas vidas a Deus porque me sinto pequena como sempre.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

que mais?!?! se é de Amor que somos feitos!

Um amigo com um dilema que partilhamos até às 3h da manhã.

Uma amiga a explodir de Amor e sem saber o que lhe fazer, que fica feliz de eu lhe atender o telefone à 1h30.

(enquanto falo com ela, o meu amigo fala com o "objecto" do seu dilema e de vez em quando trocamos o olhar de "quem é que se despacha primeiro" e eu penso na M. a dizer em Poznan: tudo se conjuga de forma perfeita)

E eu, com o simples privilégio de os escutar, de ir percebendo a cada dia que os corações humanos são imensamente frágeis. De que, no matter what, é sempre o Amor que nos move. É sempre o Amor que não nos deixa dormir, que nos faz escutar os outros, que nos dá a volta à alma. Que só por Amor, tudo vale a pena.

Eles ali a amar e eu a assistir na primeira fila, lembrando-me também do amor que me corre na alma. Parece que o Amor senão é graça.. é desgraça. Mas não é. É sempre benção. Mas às vezes não sabemos em que lugar o arrumar, sim, não percebemos onde pertence. Queremos arrancá-lo do coração. Mas ele não se despega assim... (eu que o diga!)

É de Amor que somos feitos, por isso só para o Amor devemos caminhar (mesmo quando o caminho é sinuoso).

Que se continue a Amar. Por favor?!

terça-feira, janeiro 05, 2010

something new

tenho um sabor agridoce na boca e no coração...

algo mudou. não sei o q é... mas tenho medo.

Poznan impôs-se...

tudo demasiado outra vez.. cada vez mais tenho a certeza de que quando morrer.. é de ataque cardíaco...

UM ANO NOVO CHEIO DE AMOR-AZUL!